25 de abril de 2008

galinhas de cabeça

quando algo estranho acontece, temos aquele lampejo de (in)consciência em que nossa medula espinhal (desde o começo deste ano eu decidi que 'coluna' é um nome muito besta, agora eu falo 'espinha') toma o controle de tudo, que depois nos perguntam de onde veio, porque nunca viram olho parecido, vulgo presença de espírito. certas coisas acontecem rápido demais, outras muito devagar. de qualquer forma eu me demoro, sempre, porque sou a pressa dos dias normais, já que a pressa de verdade agora não pode mais ser alcançada, não é para nós. ainda assim me surpreende a realidade quando se fotografa da imaginação e tudo o que se vê é sua cara de paspalhão no espelho, com o cabelo que jurou que ia arrumar, que nem quando, no banho, pensamos que não podemos, de jeito nenhum, nos esquecer de pegar o sabonete, pegar o sabonete, pegar o sabonete, porque senão amanhã não tomamos banho no sesc, pegar o sabonete, olha só a água empoçando no box, caramba, pegar o sabonete, eu mato o pedreiro que decidiu que era melhor sem o caimento 'não faz caimento não dona, que entope o ralo', e como poderíamos nós esquecer do caimento quando projetamos um banheiro, é o fundamental, porque, como diz o delija, sem caimento a água empoça e não evapora, o box fica úmido sem o sol e a abertura para o logradouro público e vira um viveiro de bichinhos funguentos, aqueles que combatemos com a inextimável ajuda do agente pato-purific, e do cloro que impregna o ar e corrói a lajezinha protendida que nós arquitetinhos especificamos, enchendo o pé dos velhos de rachaduras por causa de nossa ideologia peçonhenta e cancerígena. nosso semestre passado foi tenso, o delija pegou pesado, mas eu não trocaria por nada. acho que hoje vou ver um filme quando sair do banho porque estou cansado e minhas costas doem, será que tem comida, porque agora preciso me entupir de comida. de qualquer forma, o sabonete já se foi, e do pequeno despertar voltamos a ver galinhas acocoradas em nossa cabeça. porque o lucca me disse quando eu era pequeno que aquelas sementinhas de maria-sem-vergonha 'onde cai, nasce', e jogou uma delas na minha cabeça, dizendo que tinha brotado ali uma flor, mas só eu não podia ver. achando muita graça, perguntava constantemente para a minha mãe por quantas andava minha flor de cucuruto. ela deve mesmo estar lá e deve ser por isso que sempre me senti meio ridículo.

4 comentários:

Yuri Machado disse...

cara, final genial
to rindo de bobo ainda.

sabe,
fazia tempo que queria comentar com você mas não sabia como...
desde que eu te conheço me perguntava se nunca tinha reparado que havia essa flor na cabeça...!

petúnia, se não me engano.

Yuri Machado disse...

e "Yuri do nariz torto" é sacanagem!

desentortei faz tempo, seu malandro!

daniloz disse...

não cara, não é petúnia, estou achando que você é meio tonto da cabeça, eu disse que era maria-sem-vergonha mesmo.

Yuri Machado disse...

é nada
você não vê a flor e vai discutir comigo?

seu arrogante