9 de abril de 2008

psicotismo de plantão

hoje eu fiquei realmente impressionado com a capacidade que temos para atacar e descontar nossa raiva nas situações mais bestas possíveis. como todo dia, ia hoje de casa para o trabalho, na barra funda. passando pela turiassú, ouvi aquele anunciado barulho de motor acelerando atrás de mim, com um desgraçadosinho de plantão ficando pistolinha sem motivo. nada melhor é nestas situações onde enfrentamos o animal interior dos outros, que ficar calmo e se fazer de desentendido, ou seja, fiz como se não fosse comigo, na tola esperança que costumo ter de me ver na chance de um embate, jogando na cara do infeliz que resolver cruzar meu caminho tudo o que penso quanto à nossa condição, da forma mais prolixa e peçonhenta possível. acho que o arrependimento é um sentimento poderoso. minha raiva me surpreende nestes casos, como que uma embolia da cabeça que me faz imaginar diversas situações de destruição em massa, acidentes catastróficos ou a famigerada fúria bárbara dos sem-controle, pronta a me revolver e terminar num cangazunga-é-zumbi pra todo lado. porque eu vi um zumbi sábado passado, mas a estória não vem ao caso agora. de qualquer forma, a buzinada me fez subir o sangue pelas orelhas, e do meu costumeiro marasmo procurei o desgraçado nas janelinhas certeiras do retrovisor. logicamente o encontrei olhando para mim, ainda que notando uma certa titubeada. não tive dúvidas, olho com olho e mandei-o à puta-que-te-pariu, levantando a mão e xingando pra dentro. o carro então reduziu pois o farol fechara e nos emparelhamos. 'não falei com você não, viu?!' ouvi surpreso, e de pronto respondi; 'então o senhor me desculpe porque de buzinadas e olho feio já estamos de saco cheio'. neste momento a estória toma o sentido inesperado, e nós dois damos uma boa risada, porque pedir desculpas está fora de moda.

5 comentários:

Beá Meira disse...

Acabou bem!
Você conhece a história do barquinho vazio?

daniloz disse...

não conheço não, qual é?
aliás, como é que eu respondo estes comentários de forma que você leia, hein beá?

Beá Meira disse...

Eu volto para continuar a conversa.
E já respondi você lá no cadernos.

Um almirante muito importante, com uma carga muito preciosa se aproximava de um porto, e se deparou com um barquinho em seu caminho. Como o barquinho não se movera mesmo depois que ele tocou a sirene e atirou com canhões, ele mandou que seus marinheiros enforcassem todos os homens do barquinho. Os marinheiros voltaram com a notícia que o barquinho estava vazio e nada podia ser feito contra ele.
NESTAS SITUAÇÕES É MELHOR SER UM BARQUINHO VAZIO.

daniloz disse...

o problema é se resolvem afundar o pobre barquinho... hehehe

Beá Meira disse...

Se não tiver ninguém dentro só teremos perdas materiais. A alma segundo os cânticos védicos é imperecível.