6 de maio de 2008

as duas cabe(a)ças

eu gosto muito da aparição do pássaro júlio, mesmo. tenho um carinho especial por este quadrinho porque tem daquelas coisas como o vermelho estar no lugar certo e a quantidade de preto não ficar exagerada neste branco que na verdade é um creme desbotado, que nem pensei que ficou nos outros. ele é estreito e acho que o primeiro em que cortei parte da cena, das pernas amarelas que não servem pra nada ao chão que adoro fazer porque dá um trabalho danado de pintar e torna possível refletir sobre o desenho enquanto estou desenhando. coisas como o fato do bobão do yuri dizer que me pediria um favor, não dizer qual é e nem ligar como disse que ligaria pra dizer qual era e de fato pedir o bendito favor, daí de se pensar se fazemos bem ou mal em simplesmente esperar ou se devemos conversar com nossas falanges tuberculares, porque no frio nossos dedos ficam duros e gordos que nem mais acertam as letras do teclado direito. de qualquer forma, não sei se fiz certo ao separar este quadro do quinto (quadro), pois eles eram daqueles siameses que nascem grudados, não misturados, mas dependentes, dividiam a mesma página e por isso mesmo tinham uma relação mais interessante. o contraste de se estar junto não existe quando estamos separados; acho que vale a pena olhar e comparar os dois, existem uma série de diferenças que valem a pena, nem que seja por um segundo o trabalho de 'rolar' (odeio esta expressão) a página e dar uma olhadinha. sabe, vem de muito tempo já a minha ânsia por criar um personagem. sempre tentava, tentava mas por algum motivo eu mesmo desistia dele, talvez por inconsistência espiritual, debilidade crônica, futilidade irreparável ou a crueldade da obviedade da auto-crítica pré-punitiva. deste estou gostando. acho legal a idéia de separar a cabeça do carinha em dois, talvez porque a minha funcione assim, duro é tentar reproduzir isso em desenho.

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