14 de maio de 2008

a corrida

tenho um problema grave de competitividade. na maioria das vezes eu não me incomodo com pessoas tentando mostrar que são mais ou menos, mas curiosamente hoje fiz parte de uma situação daquelas que põe para fora todo o seu instinto animal. eu ando sim de bicicleta, adoro e sou folgado tanto quanto o são os carrinhos, afinal, porque carregaria por ai mais de uma tonelada de ferro e ainda esbanjaria minha estupidez buzinando para os coitados que estão justamente ajudando, se peso míseros 70 quilos? bom, de qualquer forma, estava voltando hoje do trabalho, na barra funda, pela avenida sumaré, desde lá de baixo. lá pelas tantas, reparei num outro ciclista que desceu da calçada um pouco à minha frente. nós ciclistas temos um hábito muito curioso, até humanitário eu diria, de nos cumprimentarmos quando nos vemos. não sei, deve ser alguma coisa como o reconhecimento da causa ou coisa assim, mas é muito diferente do que vemos por ai nos dias de hoje. de qualquer forma, o cara desceu na minha frente e reparei que ele tinha faróis e tudo o mais, primeira coisa que reparamos. bom, só de ver outro ciclista, já me baixa aquela dose de adrenalina e fico tentado a alcançá-lo, só para ver qual é a do cara, natural, imagino. a segunda coisa que reparamos é se o cara está só andando por ai, à passeio, porque estes normalmente são coisa fácil, ou se têm alguma coisa a mais, e isso se repara pela altura do banco e pelas batatas-da-perna. banco baixo significa que o cara ou é malandro demais, e não está interessado em nada ou não faz a menor idéia que daqui a algum tempo não terá mais joelhos. as batatas da perna, bem mostram se o cara anda ou não com freqüência, e com qual intensidade. este era forte, e o banco estava alto, de forma que presumi que se tratava no mínimo de um ciclista. vindo mais de baixo e embalado, eu logo o passei, e imaginei que estava feito, porque em seguida um ônibus me forçou a acelerar e então presumi que o assunto estava mesmo resolvido. ora, na subida mais adiante vi pela sombra que o cara continuava perto, e, mantendo posição, me passou, e depois eu passei ele, e ele me passou e eu passei ele. paramos no farol lá na henrique shaumann, nos cumprimentamos com um sorriso, abriu o farol, ele saiu na frente, eu passei, fui pra esquerda, descer pela cardeal, ele foi pela direita, descendo pelo cemitério. quando eu estava na morato, entrando na inácio, o farol me fechou a frente, e no que eu esperava abrir, ele passou, e virou à direita, e tenho a certeza de que ele me reconheceu, porque deteve o olhar por um segundo. assim terminou a 'corrida'. só foi curioso porque eu nunca tinha encontrado alguém que tivesse acompanhado meu ritmo desta forma. bem, voltando ao assunto inicial, esta tirinha foi pensada quando eu ainda trabalhava no pira, mas nunca tive tempo nem confiança suficiente para desenhá-la. a tirinha do estagiário, também inspiração do pira, foi fundamental neste pontapé inicial. bom, está ai agora o resultado, espero que não seja muito besta, morro de medo de que seja besta. acho que é piro que ridículo, porque quando se faz alguma coisa mal demais, as pessoas pelo menos reparam, quando se mantém besta, ordinário... ai ficamos com a amargura da mediocridade.

3 comentários:

maíra disse...

medíocre:
1.que não é o máximo nem o ínfimo em sua classe; mediano.
2.de pouco valor, vulgar;

medíocre é aquele que critica algo que nem ele mesmo tem culhões de faze-lo.
se cada desenho deste acabasse na mediocridade eu teria que parar para pensar seriamente o que estou fazendo da minha vida.
entendeu o recado certo?

disse...

esta tirinha está sensacional!

M.J. disse...

Ao vencedor, as maiores batatas!

Muito boa essa sua barcaça.