12 de janeiro de 2009

blue man

quando estava desenhando esta tira, o marcinho entrou no meu quarto com seu jeito de bichobocomoco -está desenhando? hmmm o que? hmmm não entendi- e eu, já meio sem paciência para explicar o que não está pronto para quem já quer a 'obra revista e ampliada', lhe respondi que ainda falatava a cor para que pudesse ser entendida, brilhante escapatória. agora há pouco, porém, assim que terminei o desenho, ele entrou novamente no meu quarto e pediu para vê-lo. -pois não- e não demorou para que entendesse de uma forma bastante diferente do que eu pensara: como se, no terceiro quadro as duas mãos se aproximando, que, para mim são as duas mãos do 'eu cenográfico' (versão do eu lírico desenhado?) fossem já as duas mãos direitas de duas pessoas diferentes, de forma que, no quarto quadro, uma mão ficasse branca subitamente e descontinuasse a sequência esperada. mas o que percebi agora é que de fato eu deveria ter desenhado, no terceiro quadro, parte das pernas do visitante branco, de forma a diferenciá-los melhor evitando assim confusão. e a cara no quinto quadro me dá raiva de tão estúpida, mas isso acontece pois nada está totalmente sob controle. mas desta pequena desavença me surgiu um pensamento interessante, que somado ao post do tatu (guilherme pianca) no meu último desenho do flickr* (http://www.flickr.com/photos/24056463@N08/3179219541/) fez com que eu reparasse como é distinta a forma de se ver, enxergar, compreender uma coisa tão vasta como a mídia desenhada, as técnicas do olhar de cada um e as bagagens que encaixotam o que cada um repara, quais são as primeiras, segundas e terceiras impressões de um trabalho que nem este. algo que para mim, que gastei umas duas, três horas no papel pode estar completamente despercebido ou imperceptível dentre vícios e automatismos.

Um comentário:

maíra disse...

mas como o feres falava incansavelmente, é muito difícil ter o controle por completo do que você pensa de um desenho e no que ele se transforma, no resultado final.
de qualquer maneira, sempre me surpreendem novas formas no desenho que eu não havia pensando e que elas poderiam existir. mas sendo elas ruins ou boas, sempre penso na capacidade (ou incapacidade) de criar novas coisas sem pensar nelas concretamente.