10 de março de 2009

o trabalho do tempo

as vezes eu fico pensando como seria viver do próprio trabalho; a relação direta do fruto que comemos com a mesma mão que o plantou, usar as próprias mãos para sobreviver em cima do suor, da terra, não para prestar serviços indiretos e nem sequer saber de onde vem a lasanha congelada da sadia triplamente embalada que comemos no jantar. preocupar-se com a chuva, a raposa, os ratos no galinheiro, o trator, o milho, plantar, colher, capinar. a gente devia sentir a dor da enxada na mão, envelhecer embaixo do sol, corpo rijo, não o ombrinho travado e o torcicolo de tentar dormir sem estar cansado de verdade, quase cegos de ficar na frente do computador fazendo desenhinhos. a gente é um bando de frescos.

4 comentários:

Alexandre Gaiser disse...

corcordo!

maíra disse...

acho que a gente é um bando de medrosos.

Tito Peçanha Leitão disse...

não sou eu o chato que vai dizer
"se você morasse no campo você ia dizer 'ah, que porre ficar nessa merda de sitio trabalhando todo dia, fazendo o tempo inteiro a mesma bosta! eu quero ter um vida de verdade, VIVER! quem me dera morar numa cidade...'"

maíra disse...

a grama do vizinho é sempre mais verde!