20 de maio de 2009

pedaço de deserto

ando meio lunático, afastado, os temas solitários têm me fascinado ultimamente; planetas oceânicos e aves de rapina, fundo de mar, espaço sideral, desertos, desolação e isolamento, qualquer canto onde não costumamos encontrar civilizações mas que nossa imaginação não deixa de insistir. não consigo dissociar a sequência de tirinhas do fim do mundo com meu universo infantil de brincar de lego, por horas a fio, entre os musgos e pequenas plantas de um vaso antigo, explorando cada rachadura, escaladas abismais, aquele geladinho no coração de ter um mundinho que só você conhece. confesso que estou lendo agora o 'na natureza selvagem', livro estonteante do filme não menos abrasivo de mesmo nome, lançado no ano passado e que já tinha me tirado dos eixos. não que eu pretenda sair por ai e largar toda a minha vida, pelo contrário, isso só me faz questionar aquilo que me faz mal, que fazemos sem perceber ou desnecessariamente, enfim, repensar algumas coisas. estou agora me recuperando de uma torção razoavelmente séria mas não tão grave no tornozelo, algo que me deixou parado já por duas semanas e meia e que deve durar mais uma ainda, e o tempo que me sobra, um tempo ao qual não estou habituado, fora da correria, é um tempo de pensar. sinto-me sim meio desolado, paro para pensar nesta fase da vida em que encerramos mais um pedacinho formal e entramos de cabeça por uma sobrevivência de valores que nem sempre são as virtudes que se esperaria desenvolver. é um daqueles momentos de deserto.

Um comentário:

maíra disse...

o fundo lembra as catedrais.