20 de outubro de 2009

conversa de refeitório

hoje, almoçando no sesc pompéia, ouvia de lado a conversa de um homem bastante comum com uma jovem e gorda senhora. não eram mãe e filho, nem namorados ou colegas de trabalho. na verdade, não faço idéia do que os tivesse mantendo juntos. alguma coisa na conversa me atraía, porém, e não era o assunto, não eram os interlocutores, era algo de indefinível na forma como a conversa acontecia, na sequência incerta do tempo entre as palavras da conversa que se seguiu, indiferente ao paspalhão que estava esquecedo de comer. por que não consegui deixar de escutar a fala mansa e lenta do técnico de informática que atendeu três vezes ao celular neste tempo em que dividimos a mesa? quando me levantei percebi, que o motivo, simples assim, era o fato dele não ter proferido gíria sequer, nem uma única interjeição, nada. o que precisou dizer ele disse em palavras corridas, apenas. coloquei a bandeja na esteira e pensei no ponto a que chegamos ao acharmos estranho o que consideraríamos o normal.

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