30 de abril de 2010

fenômeno da pré-morte

calma, eu estou vivo. mas hoje de manhã, indo para o escritório, tive uma demonstração intensa do que é isso; eu sempre desço um pedaço da fradique coutinho, da wisard até a aspicuelta, onde, aproveitando o impulso da descida, viro à esquerda, subindo em direção à harmonia, simatia, etc. acontece que hoje, descendo este mesmo caminho de todo dia, um segundo antes de passar pelo farol (verde, é claro - eu sempre espero mais acima um pouco o farol abrir para não perder todo o embalo), uma coincidência de fatores me fez diminuir: primeiro reparei numa mulher, japonesa, na esquina oposta, parando antes de atravessar a rua e olhando para o exato lugar aonde eu me dirigia, depois, o sol estava exatamente alinhado com a aspicuelta, no sentido de quem subiria (eu), então uma enorme sombra se projetou no meu caminho, e, por fim, ouvi um barulho alto e próximo. brequei. pimba, um ônibus furou o farol vermelho e fez uma curva inacreditável na minha frente. não dava para ter visto nem desviado se eu tivesse dois metros para frente. os carros que vinham do meu lado fritaram pneu para conseguir parar. eu não me assustei, não como deveria. acho que a ficha não cai rápido, mas fiquei pensando nisso. e o pior é que na volta para casa, já no horário de almoço, tive mais uma experiência, mas desta vez tive mais consciência; estava descendo a inácio pereira da rocha sentido vila madalena até que num daqueles enfadonhos cruzamentos um carro se projetou na minha frente. quem anda de biscicleta sabe que na descida, à partir de uma certa velocidade, a gente não breca exatamente rápido. aliás, isso serve para qualquer um que obedeça as leis da física. bom, o cara percebeu a merda e me deixou um espaço para passar, mas ficou o susto. e, como quase-desgraça pouca é bobagem, na quarta-feira, indo para a aula na fau, passo sempre pela praça do relógio, perto daquela rua dos bancos e tal. vi um carro querendo sair da vaga na minha frente, eu já estava perto, olhei no retrovisor dele, ele estava me vendo, passei do lado. ele saiu assim mesmo, eu desviei, beleza. mas, como nunca poderia ter terminado assim, senti a bicicleta acelerando bruscamente; o cara tinha batido atrás de mim! ou empurrado de propósito, não sei, tinha uma cara meio estranha, doente, quem sabe, em carro de empresa. não pediu desculpas, quase me mata lá, e ainda fica olhando esquisito. a sorte é que eu estava muito pesado, então a bicicleta se manteve mais ou menos estável. e ai sim, a maíra viu, eu fiquei meio chocado quando cheguei na fau, estava tremendo um pouco e tal, acho que mais pela atitude do cara que pelo susto mesmo. até porque, por incrível que pareça, não é a primeira vez que isso acontece, já me aconteceu na sumaré, com um taxista um tempo atrás. de qualquer forma, o anjo deve ser forte.

2 comentários:

maíra disse...

nem vou comentar.

Bruno T disse...

bicicleta é pura emoção...