19 de maio de 2010

tamanduateí 13.05.2010 (II)


segundo desenho da quarta visita. este foi o mais difícil até agora; os carros simplesmente não davam trégua e era impossível ver com clareza a topografia ou os contornos dos fundos da avenida por conta do tráfego intenso. se eu decidia desenhar os carros e ignorar o fundo, não dava tempo porque no segundo seguinte o carro já não estava lá, aparecia um busão e atrapalhava tudo, ai os cantinhos de fundo que apareciam e que eu ia desenhando formavam uma teia desconexa de fragmentos. foi dureza mas saiu, ainda que a proporção entre os carros passando e as pessoas tenha ficado bastante estranha.



Abaixo coloco o que escrevi logo depois que voltei da visita e que integra o que tenho chamado de meus 'Relatórios de Visita':

'Este desenho foi o mais difícil que fiz até agora. O trânsito me deixou louco, completamente insandecido pela intensidade do tráfego. Não dava tempo de desenhar nem os carros nem o que estava por trás deles, e, como disse anteriormente, a topografia não é tão fácil como parece. Ainda assim, a existência de alguns detalhes, como a rampa da calçada ou a faixa de pedestres colaboraram muito para a variação do desenho. Aliás, este é o primeiro desenho depois de 5 seguidos que mudou significamente em composição. A ponte está próxima, bem próxima, assim como a grande curva para a direita que o rio, e consequentemente a Avenida do Estado, fazem. O cruzamento com a avenida da Cantareira é frenético, não pára um segundo, e mais que ele, há saídas para todos os lados, então há sempre carros passando em vários níveis de profundidade, como uma grande alça à esquerda que vai em direção à Avenida Cruzeiro do Sul. O conjunto enorme de prédios à esquerda do desenho chegou finalmente mais perto, desde muito tempo eles estavam presentes na paisagem, o que é curioso porque esta é uma característica muito peculiar das paisagens essencialmente horizontais; as referências são vistas desde muito longe e permanecem em vista por muito tempo, causando este efeito ou compreensão de deslocamento e aproximação, identidade da paisagem com o tempo de percurso. O mesmo acontece para o predinho amarelo bem no centro dos últimos desenhos; há muito tempo eu já sei como ele é, e quase que não preciso olhá-lo para desenhar, o que não é bom, na verdade, mas ele pouco muda em detalhes. Uma das grandes diferenças a partir deste 14º desenho é a paisagem de fundo, que agora se define numa montanha de casas e galpões, com alguns prédios pipocados no meio. Ela não tem uma geometria definida, é um amontoado de construções que parecem mesclar quadras muito longas e topografia difícil, muitas vezes em escala inadequada à importância da via, o que dificulta uma identidade rápida. Um exemplo disso é uma oficina vermelha numa esquina mais adiante. Tirando esta característica marcante de estar pintada de vermelho, a construção não tira partido algum de sua posição de esquina e cabeceira de ponte.'

2 comentários:

ds disse...

Belos desenhos, meu caro. Uma espécie de diário gráfico?

daniloz disse...

opa, muito obrigado!
então, na verdade não é um diário exatamente, é um percurso que estou registrando em visão seriada, como se fosse um filme (com menos quadros), da foz do tamanduateí até o parque d. pedro II, no centro de são paulo.