23 de maio de 2010

tamanduateí 13.05.2010 (III)


esta semana eu demorei bastante para terminar estes desenhos por dois grandes motivos; o resultado do concurso, com o editor me ligando para pedir um monte de coisas, inclusive uma tirinha que sai amanhã no caderno folhateen, e o falecimento do meu querido avô herculano, cuja homenagem eu farei em breve e com o devido carinho.


agora, o que posso falar neste desenho será mais claro assim que virem o próximo, que terminei junto com este em paúba, durante este final de semana. eu me enchi o sacom de fazer três vezes o mesmo desenho; 1 lá no lugar, 2 passando as linhas a limpo e 3 aquarelando, fora que eu estava achando, principalmente neste últimos 5 ou 6 desenhos que eles estavam saturados na questão da linguagem, estas linhas pretas passaram a me incomodar profundamente, estão brutas, carregadas e cartunísticas demais para a proposta. o que fiz então com o último desenho (o 16º, este é o 15º) foi suprimir esta segunda etapa, e o resultado foi ótimo, na minha opinião. aproveitem então a obsolencência das linhas pretas...

segue agora, na sequência, o relato da visita deste desenho 15/16:

'Este desenho eu fiz de cima da ponte da Rua da Cantareira, de onde se pode ver com clareza a curva do rio que eu tentava desenhar por baixo da ponte anteriormente. Esta referência da curva e das pontes é muito importante como marcação das posições ao longo de um percurso, são coisas que te fazem reconhecer o local onde se está dando-lhe uma identidade que o define. Mas esta é uma questão que parece subjetiva demais para o pragmatismo urbano que parece ser o gerador e também o que mantém esta parte da cidade ativa. Passar carros é a grande e única função, as pessoas moram ali porque querem, não é o principal. Por isso uma boa sensação me percorreu quando, à partir desta ponte, muito mais gente começou a passar por mim, principalmente crianças a caminho do Liceu de Artes e Ofícios, ali na esquina da João Teodoro com a rua da Cantareira. Duas meninas de aproximadamente 9 ou 10 anos pararam para me perguntar o que eu fazia: ‘moço, você está desenhando?’ eu vira que elas tinham passado, uma delas mais tímida olhando interessada o desenho e então falado para a outra, a gordinha comunicativa, que resolveu vir e me perguntar. ‘Claro, eu respondi, por quê?’ eu perguntei o porquê porque achei curiosa a pergunta de eu estar desenhando ou não, já que elas tinham visto que eu estava e até por isso pararem para me perguntar, mas enfim. ‘Viu?!’ – a gordinha disse para a outra – ‘eu disse que eles estava desenhando’. É incrivelmente curiosa esta descrença que leva uma pessoa desenhando este lugar a todos que moram por lá, eles simplesmente não entendem O QUE eu estaria desenhando, e muito menos por quê.
Mas a partir desta posição mais elevada da cabeceira da ponte, que, na verdade, em direção ao centro, era menos elevada do que parecia antes de subir, eu pude compreender e visualizar melhor o terreno e a topografia que segue mais adiante. De fato um primeiro morro se forma mais a frente, definindo pela primeira vez um vale, ainda que muito esboçado, por onde o rio corre. Até então era tudo plano demais para definir ou justificar a passagem do rio por este ou aquele ponto em especial. E agora prédios são visíveis e presentes na geografia, ainda que o ponto específico em que tocam o chão seja sempre sugerido, eles não parecem se integrar de forma alguma ao lugar. Até porque, a avenida do estado é que parece ter que ser contida para não cair no rio, não o contrário. Aliás, se eu fosse um pouco mais cético do que eu gostaria, no geral, se o rio estivesse completamente canalizado ou não, pouca diferença faria para quem passa de carro ou mesmo a pé pela outra margem da avenida, salvo nas pontes, de onde a vista para ambos os lados é realmente bonita pelo leito do rio.'

Nenhum comentário: