11 de junho de 2010

tamanduateí 10.06.2010 (I)

este é o primeiro desenho desta sétima visita ao tamanduateí. como podem ver, ele tem uma orientação bastante diversa do que fiz até agora, a justificativa está no texto do relatório abaixo. ah, é claro que o cabeçudo aqui fez a proeza de se esquecer de escanear o original. me confundi porque tinha escaneado o desenho da semana passada que publiquei ontem, ai achei que já tivesse escaneado tudo, mas patience.

Desenho 23:
O dia hoje estava especialmente deprimente, com a umidade elevada e a grande possibilidade de chuva neste frio desgraçado. A luz está reduzida, mormaço sem contraste algum, ajuda a chapar a paisagem, principalmente porque as nuvens não tinham formato definido hoje, mas estava de uma homogeneidade irritante. Chegando novamente pela rua Paula Sousa na Avenida do Estado, atravessei a faixa que vai no sentido ABC e já parei na ponte onde havia estado na semana passada. Se eu andasse os 150 metros habituais, eu pararia praticamente já na outra ponte, repetindo praticamente o desenho anterior. Pensei então que, chegando justamente onde há de fato mais informação, atividade, enfim, vida; nada mais justo que reduzir um pouco o ritmo de aproximação, a densidade de ocupação e eventos pede isso.
Este desenho, portanto, aconteceu justamente desta vontade de registrar um pouco mais o que acontece também imediatamente à volta do rio independentemente dele. Digo, eu imagino que se houvesse uma boa travessia nesta altura do rio, certamente esta situação estaria expandida à outra margem. Trata-se da rua Carlos de Sousa Nazaré, que passa sobre o rio Anhangabaú canalizado, muito ativa e movimentada pela carga e descarga de caminhões abastecendo os entrepostos cerealistas. Havia um movimento descomunal nesta rua, a ponto de um enorme caminhão baú parar completamente a Avenida do Estado para manobrar e entrar de ré na posição mais adequada para descarregar as mercadorias. A vista desta rua sobe numa posição muito interessante, pois vai acompanhando o relevo ascendente da colina. Sai do Tamanduateí, cruza oblicuamente a Avenida Senador Queiroz e depois perpendicularmente a Barão de Duprat e a movimentadíssima 25 de Março, a partir da qual faz uma curva para a esquerda e deixa de ser possível continuar vendo adiante. Trata-se, portanto, de uma vista provilegiadíssima de um eixo para mim absolutamente desconhecido e surpreendente, talvez remanescente do antigo traçado do Anhangabaú.
O registro desta condição me pareceu importante a ponto de virar 90º à direita e registrar à moda dos viajantes, transversalmente ao rio. O resultado é uma divisão interessante, inclusive graficamente, da parede do canal que esconde toda a parte baixa e próxima da paisagem, deixando aparecer apenas o cucoruto dos carros e as pessoas da cintura para cima. Quando o movimento dá uma brecha, porém, pode-se ver tão longe quanto a vista aguentar, numa nitidez de detalhes que o lápis é simplesmente grosseiro demais para registrar. Uma vista tão rica, ainda mais com a presença das duas enormes bocas-de-lobo por onde jorram o Anhangabaú em primeiro plano, acrescidas do irônico registro das cotas para controle do nível da água do rio.
O que impressionou, portanto, é que este lugar tem exatamente aquilo que o Tamanduateí deveria por direito ter, mas não tem exatamente; desperta interesse.

2 comentários:

maíra disse...

gostei muito dan. mudar a perspectiva sempre traz alguma coisa de diferente, justamente porque você desloca não só sue corpo mas também o pensamento.

maíra disse...

ah gostei das mudanças do blog também! é bom mudar pra pensar no layout do site!