29 de agosto de 2010

considerações da quinzena

eu queria fazer algumas considerações por aqui porque sinto que andei um pouco relapso com as publicações ultimamente.

1. comecei a perceber que o sentimento que tinha com respeito a querer logo acabar a fau tem a ver também com esta fase um tanto mais adulta de escolher de fato um caminho. com caminho quero dizer tanto a escolha profissional, do ganha-pão, como do indissociável prazer de desenvolver com a vida alguma coisa que lhe faça sentido. para alguns isso pode ser mais fácil que para outros, naturalmente, e achava que para mim seria mais ou menos simples definir a profissão, que já havia feito isso ao escolher a faculdade de arquitetura. foi duro aceitar que a arquitetura não é e nem será, imagino, o assunto principal da minha vida. que o aparente desinteresse pelos livros não era preguiça e sim algo mais de dentro, não bate completamente. não abandonei nada, porém, ainda piro com a arquitetura, com partes dela, obviamente, nunca deixarei de pensar como arquiteto e muito menos de apreciar a boa arquitetura, acho que isso já é parte permanente de mim, que se manifesta inclusive em um dos meus afazeres mais importantes, que é o desenho. e trabalhar com arquitetura, tão somente, vira uma coisa árida. não posso reclamar de falta de liberdade no meu atual estágio, pelo contrário, sempre tive oportunidades de expressar minha linguagem nas coisas que fazia, mas ainda sim sinto que falta alguma coisa. eu tenho plena consciência que se largar a arquitetura para só desenhar, vou me enxer, dragar todo o prazer que tenho no desenho, envolvê-lo em estafa e por fim assassiná-lo na rotina. não quero isso para mim, muito menos passar o dia enterrado no autocad. um equilíbrio, então, parece se mostrar ai, conciliar as coisas, dividir o tempo. pois bem.

2. com esta história de ter ganho o concurso da folha, agora já há uns 3 meses, tive esta oportunidade única de trabalhar com um jornal, com certa liberdade até, eu diria, pois com o folhateen, por exemplo, tenho bastante escolha quanto ao que publicar, ninguém nunca me cobrou mais que bom senso. mas com o término destes 3 meses de consurso eu já estava ficando tenso quanto ao meu futuro por lá, pois, ao mesmo tempo em que por um lado a arquitetura me enxia e eu pensava em talvez largá-la, fazê-lo perdendo ao mesmo tempo o emprego no jornal não me parecia uma boa idéia, até porque é uma das coisas mais importantes que já aconteceram na minha vida. ao mesmo tempo, porém, o trabalho num jornal tem carecido de uma contrapartida; nunca ouvi um 'está bom' ou 'tente mudar isso' ou 'isso está uma merda, refaça'. claro que compreendo a estrutura de um jornal deste tamanho, da correria louca e infinita que é fechar uma edição, mas é uma coisa que me faz falta. enfim, depois de me amargurar talvez bastante à toa quanto a estas questões, a maíra mesmo me dizia para ligar logo para o editor e parar de sofrer, falei com ele e de fato continuo por lá, o que me aliviou bastante, embora agora em vez de ganhar uma grana fixa eu passe a receber por trabalho, o que significa trabalhar um bocado a mais para receber um pouco menos (ainda sim não estou reclamando).

3. neste meio tempo, porém, algumas coisas me deixaram feliz, também, como o encontro com um ciclista outro dia voltando do treino; ele me alcançou quando eu já estava para chegar em casa, eu vi que vinha atrás então reduzi para ver qual era a dele, que estava meio ofegante pela acelerada, e foi falando num sorriso 'vim atrás para saber se conhecia o dono do alforge, porque eu conheço quase todo mundo que tem um aqui em são paulo'. eu dei risada e respondi, 'então é não, né' brincando, no que ele disse 'ainda não, né'. sujeito gente boa, trocamos uma idéia rápida, é daquelas coisas bestas mais que fazem nosso dia melhor, conhecer gente simpática. e bem neste dia que minha pilha tinha simplesmente acabado durante o treino, assim, puf, acabou, não tinha mais gás para fazer mais nada direito.

4. outra coisa bacana é que decidi comprar uma lente nova para a minha câmera. foi num dia que não tinha porra nenhuma para fazer no trabalho e então estava dando um tempo na internet, quando acabei por pesquisar algumas lentes para leica. uma das coisas que eu mais gosto na fotografia é justamente o retrato, quanto mais expontâneo melhor, mas com as lentes 35 e 50 mm que tenho, isso ficava meio difícil pela distância necessária ao enquadramento. então me fazia falta uma tele. só que eu me deparava sempre com a questão de esbarrar no filme, no investir em tecnologia mais antiga (não questiono qualidade, veja bem, muito menos prazer), ainda mais em leica, que significa muita grana, sempre. mas ao mesmo tempo eu pensei que, porra, gastar uma grana naquilo que eu tenho realmente gostado muito de fazer, que é fotografar com filme, independente de ter uma boa câmera digital (que, aliás, é só uma outra modalidade para mim), apesar de ser mais prático e barato, não faria sentido. a minha máquina digital é sim muito mais versátil, e por isso eu carrego ela para fazer certos tipos de coisas. agora, comparar o prazer de usar a leica que era do meu avô, putz, não dá. e a isso somei o fato simples, óbvio mas nem tanto, que, apesar de estar comprando um produto usado, estas lentes, da mesma forma que possuem um valor alto hoje, tendem a manter este valor muito mais que uma zero-bala da canon que eu resolver comprar, por exemplo. ai me convenci, agora tenho também uma lidíssima tele-elmar 135 mm toda preta, e estou louco para revelar as fotos que já fiz com ela. aliás, este tempinho que leva do filme de bater as fotos a revelar, é que é incrível.

5. não consegui nada na premiação do programa nascente da usp de novo. este ano me increvi às pressas com fotografia, justamente, falando das minhas experiências em usar o filme, as leicas, etc. não esperava ganhar nada, de verdade, nem sei por que premiariam um projeto destes, na verdade. e sabe que em parte agradeço não ter ganhado (não nego que a grana venha sempre a calhar) porque assim mantenho a minha fotografia num patamar de prazer pessoal, apenas, ao passo que este status de premiada poderia torná-la uma obrigação meio chata, uma obcessão por bons resultados, enfim, uma cobrança que não preciso. aliás, não poderia comparar meu projeto com o do marcinho, meu irmão, por exemplo, que faturou o prêmio na categoria de design com o projeto editorial e ilustrações do conto do cortázar 'orientação dos gatos', e dou aqui meus parabéns oficiais pela conquista.

6. nossa, a ordem destes itens está completamente aleatória, mas tem uma última coisa sobre a qual faltou eu falar. ums dos motivos pelo qual não postei muita coisa nestas duas últimas semanas foi por ter trabalhado muito nas ilustrações para a revista da fapesp deste mês de setembro, que deve sair logo mais. eu gostei muito do resultado do trabalho, apesar do tema ser bastante difícil de abordar para ilustração, 'centros de pesquisa e desenvolvimento de empresas gringas no brasil e vice-versa'. a única pena na história foi que a capa que propus não passou pela diretora, então acabou que fizemos um bem bolado com partes das demais ilustrações, inclusive da capa, para compor a nova. ficou super bacana, a única coisa é que fica uma sensaçãozinha de fracasso de não ter acertado a capa, sei lá, parece meio chato.

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