27 de outubro de 2010

tfg - 20/xx


encerro aqui uma segunda 'etapa' deste tfg2; pronto, o cara saiu de casa, vai finalmente para a rua, vai pisar na cidade, uma cidade que é projetada (esboçada, vejam bem) por mim, uma idéia de cidade, aquilo que eu esperaria de uma cidade. uau, têm noção do que significa isso? pelo menos para mim, uma espectativa grande, a hora do 'vamos ver' já que inveitei de mostrar o que penso disso. e para deixar mais claro em que pé estou; com estes primeiros 20 desenhos explorei um pouco de uma faceta mais sensível, quase lúdica da arquitetura. acabamentos, detalhes, cores, pontos de vista, tempo; questões intrínsecas à arquitetura mais muito deficitárias na nossa formação como arquitetos, deixadas de lado em segundo plano. uma solução em planta, corte, elevação, revela uma coisa, bastante técnica, necessária, afinal, mas faltante com relação a este aspecto emotivo que tem o espaço e sua relação com o habitante que dele faz uso. qualidades tão importantes na percepção de um espaço quanto ele em si, porque é parte dele. a forma como é possível guardar a escova de dentes na pia pode definir o dia de uma pessoa, pois se faltar, for ruim, e ela escorregar e cair dentro da privada, do lixo, atrás do armário, enfim, se guardar a escova de dentes for uma novela todo santo dia, isso pode se tornar motivo de assassinato. tudo bem, parece exagero (é, na verdade), mas ignorar o efeito da soma de situações como esta na vida de uma pessoa em pró de uma 'planta livre', da 'lajezinha protendida', da 'escada escultural', da 'lavanderia coletiva', estas imposições à vida alheia (porque é isto que o arquiteto faz, molda o espaço para o outro) é algo muito ruim para alguém que pretende responder a anseios e necessidades de outrem. lembrando que estes desenhos juntam aquilo que PARA MIM seria uma boa casa, um bom apartamento, de proporções razoáveis, dentro de padrões aceitáveis (embora isso possa ser sempre questionado), ocupado de uma forma como eu faria, com cores, tons e acabamento que me agradam, enfim, dentro do meu gosto porque é a minha visão, não a verdade universal. tentei então mesclar elementos que pudessem agradar às múltiplas etapas da vida, como uma praticidade da rotina de um adulto e os delírios inexplicáveis de uma criança, o sossego e contemplação de um idoso, os espaços e cantinhos que pudessem abrigar coisas interessantes à imaginação e à vida ao invés de um rodapé hospitalar e uma cama de alvenaria. enfim, posso me estender nisso indefinidamente, mas queria só dar mais um respaldo a quem acompanha as coisas aqui no blog e pode estar se sentindo meio perdido, e fazer algumas considerações sobre o trabalho.


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