13 de novembro de 2010

janela da alma


eu estava pensando agora cedo numa questão que vem sempre à minha cabeça: eu não enxergo de verdade. não sem uma gelatina colada no olho ou um par de vidros pendurados no nariz. não veria 'nitidez' se não fosse isso, não de longe. tudo para mim seria perto, coisa de um palmo. é estranho pra burro, porque eu me habituei a enxergar, compensar esta deficiência a ponto de muita gente não saber que eu uso óculos. ver, ouvir, deixar de fazê-los, não sei se sou o único que fico a pensar nas situações primordiais; o homem tendo que se virar por ele mesmo, da forma que veio ao mundo, cenários extremos, enfim, delírios. pensando nestas coisas - valores quase absolutos - parece que nossas preocupações são pura mesquinhez.

Um comentário:

Isadora disse...

"-fala ali com o roberto, isa.
-falar com quem?
-ali do lado, o roberto.
-ah, é o roberto ali. to sem óculos.
-mas você não vê que ele tá ali? são dois passos de distância!
-não sei o que é aquela forma, só sei que parece uma pessoa. to sem óculos!
-porra, isa!"
acho que normalmente nossas preocupações são pura mesquinhez e egoísmo. e que não saberíamos viver de outro jeito...