esta é praticamente minha primeira experiência com colagem, no duro (j. d. salinger ficaria orgulhoso de mim por usar esta expressão). é uma nova série que estou iniciando agora, chamada blue thunder, e que logo mais explicará por si mesma o porquê do nome. quem frequenta a minha casa, mais especificamente o meu quarto, deve acabar reconhecendo este quadro, e isso é de propósito, pois quero fazer algumas alusões claras a referências pessoais minhas e cotidianas nesta sequência de trabalho que dei início agora. usei aqui papel colorpus preto 180 gramas, se não me engano, um canson texturizado, caneta tinteiro e uma aguada de nanquin, montando tudo no meu tradicional caderno colorido número 2. pode ser que eu venha a trabalhar num bloco canson solto, para me deixar mais à vontade nas experimentações e não cair na conversa de me prender demais ao resultado mais apresentável que é a proposta deste caderno em especial.
o 'sendero' que saía da cidadezinha de el chaltén para a laguna torre, a primeira trilha que fizemos no parque. 23km, umas 7h de caminhada, duas máquinas bastante pesadas nas costas (idéia de girico, mas fazer o que, somos viciados).
maíra no bosque das árvores ressecadas, impressionante, parece que tinha dado um vento meio assim e todas morreram ao mesmo tempo.
bosque nas encostas (este estava bem vivo).
caminho encantado. estava muito mágica a luz, deu uma motivada na caminhada.
depois de andar um bom bocado, finalmente chegamos à laguna torre.
o sol lá é daqueles terríveis: por causa do frio e do vento, nem percebemos que ele queima, e bastante, mesmo passando muito protetor. depois viemos a descobrir que o buraco na camada de ozônio tem uns efeitos meio pesados na região...
brinquedinho pesado.
ele estava olhando para mim, tenho certeza!

toda a graciosidade, senão magnificência destes bichos voando caem por terra quando os vemos pousados! olha a pinta de pomba que o cara me apresenta! é inacreditável que seja o mesmo que apareceu nas fotos de cima.
decolagem parada; eles abriam as asas, o vento entrava por baixo e eles subiam praticamente n vertical, paradinhos e sem esforço.
vista da laguna torre, com o cordón adela e o egger torre ao fundo.
cordón adela e a torre egger em detalhes.
uma das poucas fotos em que nós dois aparecemos, as pedras lá não eram muito boas para ficar apoiando a câmera e inventando modas para tentar enquadrar as fotos. fora a velha desculpinha do vento, o frio...
para dizer que eu vi mesmo um condor dos andes, vulgo 'urubuzão'. enorme, praticamente uma asa delta.
e aqui já estávamos voltando de volta à cidadezinha de el chaltén, neste vale já escuro ai na frente.
esta é a única foto que eu tenho (roubei do blog do elcerdo) do lançamento da revista beleléu aqui de são paulo, que foi lá na loja cachalote. na foto: eu, stevz, laerte, elcerdo e eduardo arruda. faltou um dos organizadores, o daniel lafayette, que não veio para são paulo na ocasião. o laerte estava só passeando ai, e eu colaborei com uma página da revista.
hoje passei a tarde meio em crise; faz 3 semanas que não desenhava uma linha sequer, fiquei absorto pela máquina fotográfica quando fomos para a patagônia agora na metade do mês. isso porque não tivemos muito tempo parados em cada lugar, mais que isso, acampando ou caminhando muito, então quando parávamos o vento era forte e frio demais para desenhar, ou o cansaço pedia uma deitadinha, fora que a fotografia possui encantos que não preciso ficar citando aqui. não estou reclamando, vejam bem, só falando deste estranhamento que me bate ao fazer uma coisa com a qual eu costumo estar tão habituado mas que subitamente me parece distante. não é a toa que usam tanto a expressão 'enferrujado' por ai. é um fato que a mão precisa estar 'quente' para desenhar, dificilmente se chega depois de muito tempo e se tem a mesma desenvoltura de antes. só digo que é meio chato. mas ainda sim se tem algumas surpresas; como esta chitaki ai em cima que fiz rapidinho e cuja expressão ficou definida com traços não tão normais para mim. ainda assim gostei, ficou bonitinho.
mairinha, no inexplicável momento em que sentimos a súbita e desajeitada vontade de vestir um casaco em pleno verão (el calafate, santa cruz, argentina lat 50º20').
multidão de margaridas. se existe uma flor em abundância por lá, é esta. campos e campos.
a lavanda do santa maria pareceu desbotada perto destas.
reserva da laguna nimez, em calafate, quase um braço do enorme e lago argentino.

flamingos se protegendo do frio cortante na laguna.
maíra aleatoriamente dançando os yeah, yeah yeahs no riozinho geladão.
o vento era tão forte que ela até se inclinou para tirar uma foto, de mim, muito provavelmente.
subidinha de areia fofa que separa a laguna nimez do lago argentino, tem até uma cerquinha para ninguém se confundir.
esta foto do gavião só foi possível com a ajuda da maíra, que muito prestativamente o 'espantava' para eu poder pegá-lo alçando vôo.