7 de janeiro de 2009
5 de janeiro de 2009
o pão nosso de cada dia
esta foi a última tirinha do ano passado, made in paúba. a história surgiu de uma cachorro muito simpático que nos apareceu em boissucanga, quando fomos passear na esperada estiagem, já que nos diluviou por mais de um dia inteiro e estávamos mofando na casa do yuri. o pôr do sol estava bonito e andamos pela praia até sermos abordados por este simpático canino, de nariz estranhamente curto, que resolveu nos acompanhar por um tempo, brincando com uns gravetos que achamos por lá. numa destas o yuri, do fundo do seu poço de tormentas veio com esta idéia falando meio assim: ''ai ele chega em casa com este graveto e a mulher dele lhe diz - astolfo! graveto outra vez?! precisamos alimentar as crianças! eu disse bife, não graveto'' e a história se desenvolveu até que o yuri acabou me 'obrigando' a desenhá-la. achei o desenho da cadela meio infeliz, mas no final das contas o efeito foi o desejado e eu dei aquele sorrisinho quando reli.
23 de dezembro de 2008
21 de dezembro de 2008
minhocão
20 de dezembro de 2008
19 de dezembro de 2008
pé torto e quebra-canela
bem, quando o marcinho viu o post anterior me disse - mas é claro que eu ainda tenho o meu desenho, era muito mais legal que o seu, era um dragão mais gordo escalando o castelo e tal - então fui atrás de procurar o tal do dragão. mas eis que, sem aviso nem discrição, me aparece esta foto de quando eu tinha 9 e o marcinho 7 anos, em campos de jordão. reparem nas minhas pernas mais arqueadas que pau torto e este meião que mais parece meio metro de gase enrolado em pata de galinha! mas o negócio fica fera mesmo quando olharmos para o japona do marcinho, rapaz, isso é que era estilo, com estas pantalonas escarlate e este reebok branco. o detalhe é o boné do pica-pau coloridasso na mão e a pose de jacu-pêssego! a gente era bonito e nem sabia, verdadeiras pérolas do agreste.
o dragão do castelo
hoje eu estava fazendo aquela arrumação geral no meu quarto quando me deparei com este desenho que a minha mãe fez para mim há uns quinze anos, quando eu tinha uns seis ou sete anos de idade. o engraçado é que eu lembro dela fazendo, fez este para mim e um muito parecido mas não igual (lógico) para o marcinho. desde então tenho ele guardado, nunca foi um personagem especialmente presente nas minhas brincadeiras, mas acho curiosa a forma como guardei tão bem até hoje um desenho que encontrei poucas vezes durante minha vida. lembro de descobri-lo nalgum lugar surpreendente mais do que dele propriamente. de qualquer forma, sempre adorei este desenho da mamis.
o dia em que a canhota humilhou a destra
para comemorar meu primeiro dia de férias (tecnicamente hoje, mas psicologicamente amanhã) resolvi desenhar um pouco, botando a mão esquerda para se virar. o problema é que ela se saiu meio bem demais, na minha opinião, e chegou quase que no nível da direita, pelo menos no que se refere ao modo de desenhar. o contraste que eu queria óbvio entre o traço da mão esquerda e da direita, e a brincadeira de que a mais hábil só desenha a menos e vice-versa ficaram meio prejudicados com a performance canhota. não sei se a minha mão direita está ficando para trás ou se está na hora dela tentar inventar outro jeito de desenhar porque este até a esquerda já aprendeu! de qualquer forma achei uma bela composição, e uma salva de palmas para a mão esquerda, me surpreendeu.
16 de dezembro de 2008
espíritos de porco
bem, toda esta estória começou com a minha mãe querendo ver uma tirinha que eu estava desenhando de cinco em cinco minutos - mãe, por que você não espera ficar pronta? - no que ela me respondeu - porque gosto de ver o processo acontecendo. agora, depois de uns dois meses eu finalmente tive tempo de registrar as partes do processo de desenhar estas tirinhas. a primeira parte, acima, é um croqui que fiz numa folha de sulfite, em dois minutos, para testar o layout que tinha imaginado, ver se os tamanhos dos personagens estavam bons, etc.
neste desenho seguinte, que está com a cor deformada por causa das maracutaias que tive que fazer mal-e-porcamente no photoshop para as linhas aparecerem no scaner, desenhei com um grafite muuuuuito clarinho, mais para me localizar, esboçar as formas na página definitiva e fazer os ajustes necessários para caber tudo.
na etapa seguinte eu comecei a passar à tinta o esboção à lapis, é a hora em que elejo a linha que vai vingar, porque a rabisquera tem que dar lugar a uma forma clara e limpa. o amarelo entra agora para tentar borrar menos com o preto, pois estas tintas à base de água se diluem o tempo inteiro.
nesta parte eu começo a detalhar mais o desenho, logo depois de apagar de vez os vestígios de grafite acrescentar os objetos/hachuras em segundo plano, terminar de pintar as cores claras que agora não vão mais borrar com o grafite.
as outras cores vêm na sequência, junto com o detalhe da roupa, que deixo sempre como a penúltima coisa a se fazer por tradição. as outras cores vêm também.
por fim acrescento os fundos chapados, principalmente preto, para realçar as figuras e refazer algum contorno esquisito. o grafite é a última coisa para tentar não borrar o desenho. eu fiquei pensando se não era meio chato demais contar a estorinha tão 'passo-a-passo' assim, portanto me digam se é desinteressante todo este trabalho. acho que deveria fazer que nem o marcinho que pede para darem uma nota ao post. sintam-se à vontade. ah, sobre a história, eu tenho a certeza de que todo homem é porco, quem aqui conseguir resistir à vontade de mijar em cima da represa de mijo alheio que corte os pulsos e suba ao céu agora mesmo.
14 de dezembro de 2008
autocontrole
12 de dezembro de 2008
automatismo
comecei a desenhar esta tira nas vésperas das entregas, quando as primeiras marolas do navio das obrigações balançavam minha força de vontade, despertando a vontade de me poupar, de secretamente dispensar meu pássaro vermelho de tudo isso. a vontade era desligar a cabeça e apertar o botão do 'piloto-automático', - sou um zumbi agora - melhor representada pela abertura da gaiola e expulsão de seu senso crítico. fazer apenas, terminar apenas, rápido e apenas.
10 de dezembro de 2008
maquete TFG FAAP
rafael sica
bem, este final de semestre está uma lástima, principalmente por causa de uma maquete que estive fazendo com meus sócios (mais chique falar assim, não?) até a meia noite de segunda. acabamos e fomos bem sucedidos, mas não tive tempo de desenhar nas últimas duas semanas, para terem idéia, tenho cinco idéias registradas e uma no meio do parto, todas intocadas nestes últimos dias. sendo assim, resolvi mostrar uma tirinha deste cara, o rafael sica, que me foi indicado por um outro rafael e que desenha demais. o link dele é http://rafaelsica.zip.net e vale a pena dar uma olhada, referência. agora yuri, poderia muito bem ter sido você quem desenhou esta tirinha. este cara tem estas sacadas geniais. ai está.
3 de dezembro de 2008
respiros do porão
hoje encontrei um colega meu,
estava mais velho, cansado e gordo que antes, apático e derrotado habitante do mundo corporativista cinzento, almoçando um pouco da sua juventude num prato de vidro.
estava mais velho, cansado e gordo que antes, apático e derrotado habitante do mundo corporativista cinzento, almoçando um pouco da sua juventude num prato de vidro.
27 de novembro de 2008
ensaio sobre a cegueira
24 de novembro de 2008
mini-dedicatória
influenza
porque há vezes em que não há tanto mal em escorrer os narizes e doerem as costas, arranharem as gargantas e tossirem as tripas, estar em casa paga com folga os interstícios da gripe. voltei no sábado à noite do campeonato que reúne a nata do suco do lixo da universidade de são paulo, e já no caminho, soube que estaria doente nesta noite mesmo. missão cumprida, pensei, já que desde terça-feira arrastava o adiamento da doença para depois da viagem, com doses cavalares de vitamina C, aquela que garantiu a cobiçada longevidade de linus pauling, ainda que tão questionada quanto almejada por uma seita de céticos e sanguessugas. bem, tempo em casa é tempo livre, e tempo livre, ainda que roubado do tempo de dever, é tempo de fazer o inevitável. foi estranho passar 4 dias sem sequer pensar em desenhar, curiosa a influência do meio em que nos envolvemos. vai ver o diabo vestido de top e fio-dental vermelhos, chifrinho brilhante e tridente enfiado no rbo são inibidores de criatividade. vá saber. quem vai ao bife sabe do que falo, ainda que torça o nariz ao lembrar da baleia encalhada numa carcomida piscina regan de dois anos atrás, a se refrescar na água quente e turva de protetores solares alheios, com uma bendita canequinha do usp recicla jogando água sobre as vastas costas que mais pareciam uma encosta inteira. gripe por gripe, melhor estar gripado em casa.
23 de novembro de 2008
18 de novembro de 2008
16 de novembro de 2008
15 de novembro de 2008
13 de novembro de 2008
a queda
back to black
a consciência vermelha de gil
7 de novembro de 2008
no bico do corvo
fazer piada com os pessimistas e mau-humorados é uma forma de enfiar uma faca em meu próprio peito, figurativamente falando, e de dar aquela torcidinha de quando pensamos 'puxa, é uma tremenda idéia para não comer tanto chocolate colocar a barra longe do sofá e se forçar a levantar cada vez que quiser um pedaço', pois, quando estamos de bom-humor, estas idéias geniais são ótimas e até sensatas. mas a idéia aqui é alfinetar meu lado resmungão e mal-criado, mau-humor-em-água-fria, não-me-provoque-que-eu-lhe-parto, quero-atenção-mas-nunca-admito e váááários outros sentimentos semelhantes. em casa tenho repertório infinito de pés-na-covices, basta parar de falar um pouco e se prestar a ouvir milongas e delongas. bem, melhor não me estender muito senão acabo tocando no mau-humor dos outros, não só no meu.
3 de novembro de 2008
catedral de reims
31 de outubro de 2008
porque há dias em que cozinhamos o mau-humor em água fria até este estar encorpado o suficiente para entalar em nossa garganta e ficar com o dedo no disjuntor, pronto a botar a chave abaixo e desligar o conector cerebral que mede o tato social e a simpatia. aliás, palavra tenebrosa e proibida para aos desavisados que se derem ao direito de questionar a verdade universal e irremediável de um dia ao lado do famigerado. as pessoas não entendem que o mau-humor foi feito para afastar os inconvenientes de nós.
distúrbio de atenção
eu juro que quando imaginei esta tira ela estava engraçada. não sei se era o jeito como ela falava, a voz meio esganiçada daquelas pessoas que se têm em alta conta, o jeitão meio 'guardo o quanto sou foda para mim mesmo porque os outros não o merecem', a perspectiva de alguém que anda muito sozinho, e por isso mesmo aprendeu a rir de coisas estranhas. minha mãe e meu irmão podem comprovar este fenômeno, pois, quando foram me resgatar em paris, encontraram uma figura magricela que falava engraçado e ria de coisas aleatórias sem motivo aparente. andar sozinho nos deixa pensando esquisito. enfim, percebi o quão relativo é o senso de humor, mais, o quão intrincado este está à narratiava. neste caso, o humor é a narrativa, é a forma como a coisa se dá. no caso, não se dá. de qualquer forma, é curioso pensar que pessoas podem pensar coisas absolutamente diferentes à partir de uma mesma cena... eu provavelmente estaria pensando 'uau, então é assim que é o fígado'.
29 de outubro de 2008
pego no pulo
o bicho do pau
eu tenho a certeza de que, daquelas noites infindáveis em que nos enfiamos nos buracos da labuta, no gume da navalha abrindo espaço no objetivo único e inquestionável; o fim por ele mesmo. cavando fundo demais, porém, despertamos dos desfiladeiros abissais, das congregações de irritamentos e desgraças ribombantes, o ódio irritante, o provocativo e sádico punimento, a pena por tamanho descaramento, o suplício final, no respiro final, na força final, no final do fim, no finalmente, no passo a mais, aquele que são duas teclas ao invés de uma, o ctrl+qualquer coisa que vira ctrl+duas coisas e ai ele aparece. não podemos acreditar, mas é viva e consciente a força punitiva, alguns intitularam-na 'karma', não necessariamente trabalhando ao seu lado, não necessariamente boa, mas existe a entidade inteligente dos paus no computador. ah se existe.
20 de outubro de 2008
violência gratuita
eu esqueci de postar esta tirinha no blog, ela já estava no flickr desde sexta-feira, e na verdade foi feita antes da anterior. aqui eu me senti tentado, depois de ficar a me ludibriar com a lustrozidade das nucas de meus peçonhentos inimigos pessoais. rapaz, como são tentadoras estas acumulações de carne arredondadas semi-cobertas por cabelo, é uma vontade de descer aquele sonoro pescotapa estalando em ecos pelo corredor lotado, tão delicioso que todos incoscientemente se viram para ver quem foi o autor da façanha, até alma santa perde a calma do universo espiritual se vítima de tal desaforo. deus uma vez mais desceria à terra sorridente para comemorar cada pescotapa bem dado. de qualquer forma, ultra-violence é algo inacreditavelmente bom de se desenhar, ainda que seja bastante difícil.
um vício por outro
bem, esta é para o yuri que, milagrosamente depois de ter começado a ir a pé para a aula e 'à todos os lugares', como ele gosta de dizer, começou a sentir que se ficasse sem andar dormia mal, comia menos, cagava pior, além de ficar sem o maravilhoso 'soma' tão descaradamente produzido dentro de nós mesmos. endorfina é o bicho!
15 de outubro de 2008
7 de outubro de 2008
rotavírus
Trabalho e Redenção
acabou tendo muito mais sangue do que eu imaginava ai nesta cena, a ordem ficou invertida, não sei exatamente por quê. imaginava começar com as ferramentas na esquerda, o cara sentado em frente à televisão e por fim a parede pintada com o sangue. o cérebro como oferenda. ainda assim, nada como fazer o trabalho sujo de arrancar o cérebro para assistir televisão, uma tremenda recompensa.
o medo da sombra
1 de outubro de 2008
centenária
pois é, eis que estava eu em casa, bordoando com umas canetas superfluosidades em papel quando irrompe em meu quarto minha mãe com uma tábua de madeira e um sorriso que unia as orelhas. não precisei perguntar para que diabos seria aquilo, pois o marcinho já apareceu gritando incoerências desde a porta de casa: 'adivinha o que o vovô pediu para você fazer?!' no que minha mãe me mostrou um bilhete inacreditável no qual constava em azul-safira a palavra centênária escrita em caligrafia oscilante. 'o que é isso?', 'seu avô pediu para que você escrevesse centenária nesta placa, para ele pendurar na árvore lá no sítio'. 'hein?!', 'pois é, ele quer colocar isso pendurado lá, para o aniversário dele'. 'não seria interessante escrever árvore centenária ao invés de somente centenária, eu perguntei a ele quando ele me deu o papel, não, ele me respondeu, não seria óbvio demais ver pendurada em uma árvore uma placa escrito árvore centenária?'. o riso foi incontrolável, mas o pedido foi tão engraçado que decidi fazer a tal da placa, não importava mais já ser para lá das onze da noite. fui para a lavanderia pintar a placa, minha mãe, não por menos, tratou da documentação fotográfica deste acontecimento histórico. até que ficou bonitinha a placa, melhor ainda vai ser vê-la pendurada na tal da árvore com os velhinhos passando embaixo. podia ser óbvio para o meu avô que aquilo é uma árvore, dai não ser necessário repeti-lo na placa, mas salta-nos bastante à vista o fato da tal da árvore ser centenária, pois é simplesmente enorme e muito velha, mas tudo bem. prefiro estes delírios que devem ser algo de projeção, de auto-reconhecimento ou simplesmente identificação com esta árvore que fica mais forte a cada ano que passa aos tormentos de velhice degenerativa. ficou bonito, rapaz!
29 de setembro de 2008
eu solto o ar no fim do dia
dia após dia
eu quero o amor da flor de cactus,
ela não quis.
eu dei-lhe a flor
de minha vida,
vivo agitado.
eu já não sei se sei
de tudo ou quase tudo
eu só sei de mim, de nós,
de todo mundo.
eu vivo preso à sua senha,
sou enganado,
eu solto o ar no fim do dia,
perdi a vida.
eu já não sei se sei
de nada ou quase nada,
eu só sei de mim, só sei
de mim, só sei de mim.
o patrão nosso de cada dia,
dia após dia
o patrão nosso de cada dia,
dia após dia
o patrão nosso de cada dia,
dia após dia
o patrão nosso de cada dia.
'o patrão nosso de cada dia'
secos & molhados, lindamente.
tal qual minha presença em minha casa,
que no lugar de ser do nascer do sol
até o morrer do sol, é do já morrido sol
até o nascer do sol, e tudo de novo e de novo.
é dia após dia.
22 de setembro de 2008
trabalho forçado
feita ao som de 'into the wild', trilha sonora de eddie vedder para o filme de mesmo nome, me fazendo vencer preconceitos. ainda não gosto de pearl jam, mas mesmo assim, o cara é foda. bem, de qualquer jeito, fiquei bastante satisfeito com este trabalho que fiz para a fau, foi uma maldita proposta de um professor nosso que encheu demais o saco e a paciência de todo mundo acabando com tudo e com todos. não posso culpá-lo de todo, foi o responsável pela introdução do nanquin nas minhas coisas.
19 de setembro de 2008
lifebar
eu fiquei pensando nos efeitos colaterais de se ter um 'gráfico contínuo e auto-atualizável da quantidade de vida ainda disponível', também conhecido por 'lifebar' para os que alguma vez já jogaram videogame. o efeito seria indubitavelmente catastrófico. um deus espirituoso e é a forma de demonstrar a inexplicabilidade destas atitudes tão bestas que pensamos mas não temos como fazer.
10 de setembro de 2008
concurso fnac
este desenho eu fiz para o concurso FNAC de novos talentos. eu já tinha alguma prática com tirinhas, que são muito curtas, e mesmo assim já exigem um bocado de tato para saber como conduzir seu andamento e principalmente o momento de terminá-la. para este concurso, porém, deveríamos fazer uma história relacionada ao tema 'infinita diversidade em infinitas combinações', organizada na forma de HQ, com apenas uma página A4. com isso eu descobri o quanto é difícil elaborar um roteiro. mais, elaborá-lo pensando no que se quer dizer, como dizer, por quê dizê-lo, com que objetivo fazê-lo, e tudo isso ainda amarrado por um tema xumbrega, sem contar a parte de torná-lo desenhável e agradável, pois eu garanto que não posso desenhar tudo o que gostaria. sinto que a composição ficou bacana, os desenhos também, mas o roteiro nem de longe se constituiu como coisa amarrada e muito menos clara. tenho medo de não ter sido claro o bastante e por isso mesmo ter fugido do tema. não importa muito, na verdade, foi um exercício bastante construtivo, foi a primeira vez que peguei isso nas mãos, figurativamente falando, e ainda percebi como é fácil recair em nossos lugares comuns. minha idéia era falar de diversidade através de indivíduos, das peculiaridades não necessariamente compartilhadas de cada um, que constituem a diversidade em si, afinal, é a partir delas que temos a diferença como esta coisa tão comparável entre existências diversas. recaio naquela idéia de que só estamos sozinhos até o instante anterior à percepção de estarmos 'viajando', naquele pequeno descontrole de emendar pensamentos por proximidade. mesmo sozinhas as pessoas ainda estão acompanhadas dos representantes que fazemos delas. é esta combinação entre nós e as infinitas facetas de nossos amigos palpitando em nossas ações, imaginando o que pensariam se soubessem o que fazemos nestas horas, no estar sozinho. e o curioso é que quando penso nisso, justamente, tenho a certeza de ter passado longe de concretizar isso numa história. me parecem frases suspensas, significado duvidoso.
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