há algo sobre a catástrofe e disseminação do caos que atrai qualquer um, não é?
11 de fevereiro de 2009
10 de fevereiro de 2009
A Day in the Life
hoje eu plantei uma roseira numa antiga muringa, usando a terra de um saco muito antigo que trouxemos ainda da outra casa. é uma terra bonita, daquela preta de consistência apetitosa, mas que estava ensacada há muito tempo; até pensei se não seria o caso de deixá-la aberta um tempo para pegar um ar, talvez um sol, vá saber. mas eis que, muringa já cheia de terra roseira plantada, eu levo o conjunto para a pia para regá-lo e a luz bate na terra. minhocas! meu sangue gelou de alegria, havia duas minhoquinhas se retorcendo na superfície do vaso, lindamente vivas estranhando o sol que lhes iluminava o flanco. uma coisa destas é a melhor que um jardineiro babão pode esperar de seus vasinhos.
8 de fevereiro de 2009
jack london
5 de fevereiro de 2009
'o curioso caso de benjamin button'
fazia tempo que eu não assistia a alguma coisa tão bonita quanto este filme. sabe quando o cinema deixa de ser cinema, a atmosfera se desfaz e você descaradamente vive a vida alheia, compartilha os medos, rouba as vitórias, torce, pragueja, recua e chora esquecendo de qualquer coisa que não diga respeito ao filme? é uma existência resumida em quase três horas, três horas que passam como oitenta anos mas dos quais o sentimento físico se lembra de alguns minutos. nunca eu fiquei sentado tanto tempo sem reparar se mudava ou não de posição, sentindo apenas o peso de uma cabecinha que se me apoiava no ombro de tempo em tempo, e de duas mãozinhas que procuravam as minhas na mesma agonia. nunca mais eu quero assistir este filme de novo, pode estragar esta lembrança tão gostosa que ele mesmo criou. 'o curioso caso de benjamin button'.
4 de fevereiro de 2009
desenhos de aula II
aqui a professora disse: 'três desenhos da mesma árvore; um de longe, um intermediário e um de perto'. este é o mais de longe.
este é o intermediário (praticamente igual ao mais distante).
e este é o mais de perto, feito quase de baixo da árvore e estrategicamente mal-cortado na folha para ter tempo de ir almoçar.
este aqui foi um dia que precisávamos fazer apenas um desenho, sentado na guia da calçada, tendo que, obrigatoriamente desenhar as escadas de incêndio da reitoria.
aqui tínhamos que fazer dois ou três desenhos em sequência, mas começou a chover e eu só fiz um e meio.
desenhos de aula I
esta modelo a gente desenhou tantas, mas tantas vezes que nem aguentávamos mais; como diz a maíra, já sabíamos desenhá-la de cor e salteado.
esta aqui foi nosso primeiro desenho fora do atelier, fazendo uma vista rotativa da praça do relógio. esta vista ai é para os lados do parque villa lobos, empreendimentos de alto padrão SA.
esta era a vista subsequente; virando um pouco à direita, a reitoria com seu estacionamentinho de crias automobilísticas.
bem, tanto reclamamos da outra modelo que a professora resolveu chutar o balde trazendo uma modelo velha e gorda. este desenho ai foi feito desenhando-se só as sombras.
o violino foi um dos desenhos da primeira aula, este feito com a mão esquerda, que me surpreendeu tanto por ter ficado muito melhor que qualquer outro que eu tenha feito com a mão direita.
3 de fevereiro de 2009
2 de fevereiro de 2009
30 de janeiro de 2009
coisa de criança
- não, não, o certo é assim, ó.- assim? claro que não, o certo é mais para o meio do pé.
- ai como você é burro, é aqui ó, no dedão.
- claro que não ó, tem que equilibrar, um dedo grande e um pequeno contra três pequenos.
- mas olha como fica torta as havaianas...
- hmmm, verdade.
- viu?!
- pois é... mas fazia mais sentido daquele jeito.
quando a gente é criança, tudo tem um gostinho diferente, né?
29 de janeiro de 2009
estória a 2n mãos
para maiores explicações: esta tirinha eu fiz depois que o marcinho veio tentar um 'ultimato' para cima de mim. fazia já um bom tempo que ele vinha falando para eu fazer uma postagem multimeios no nosso blog conjunto - http://2nmaos.blogspot.com - que vem da idéia de várias pessoas contribuírem com seus capítulos para o andamento da história. eu dou risada pra cacete com esta história toda, mas se interessar, dêem uma olhada lá começando pelo 'texto fundador'.
28 de janeiro de 2009
sangre
globo de luz
ontem eu estava olhando para o globo de luz no teto e acabei por pensar quão fantástica é esta coisa. uma bola de vidro que engloba uma outra bola de vidro que engloba um metalzinho envolto em coisa nenhuma e enrolado à exaustão que, quando tem eletricidade socada no rabo, brilha loucamente qual estrelinha encalusurada. os seres humanos são mesmo escravocratas.
27 de janeiro de 2009
foi.
as vezes a gente lembra dos amigos e tem vontade de sair na chuva. deixa de sair e então a chuva já ficou toda no chão e nós continuamos secos.
26 de janeiro de 2009
14 de janeiro de 2009
raios e trovões
ontem à noite choveram raios aqui em casa. de uns 200 que vi, consegui pegar uns três, apenas duas fotos ficaram boas, esta foi a primeira, tirada do meu quarto. foi quando eu percebi que todos eles estavam caindo lá para trás, para a direita, e fui correndo para o banheiro da minha mãe, uma das únicas janelas do prédio para o sul. subi num banquinho de madeira para alcançar a janela, arranquei a fita crepe que 'vedava' o vento e espetei a câmera para fora, apoiando meu queixo no caixilho. não dava para ver muito bem, estava desconfortável pra caralho, mas acho que até que fui bem sucedido, pois peguei um raio 'mudando de idéia'.
12 de janeiro de 2009
aprendendo com corbusa

hoje, um pouco antes do almoço, naquela hora em que se espera porque não há nada melhor para fazer, e esperando se decide desenhar como quem não quer nada além de esperar, peguei o que estava na minha frente, esta cadeira, e comecei a desenhá-la. nisso me vieram várias lembranças, como as maracutaias que fazíamos com seu espaldar 'rodante', verdadeiras acrobacias que provam a real qualidade de um objeto como este. a manobra 'minhocante', que consistia na façanha da flexibilidade de uma criança, a se contorcer em posições inacreditáveis e anti-ergonômicas que arrepiariam qualquer mãe. quando eu mostrei para o chico o que conseguia fazer, ele me contou uma história de quando enfiou a cabeça por entre uns montantes de uma cadeira da casa dele e depois não conseguia retirá-la, de jeito nenhum, e que terminaram com seu avô puto da vida serrando a porra da cadeira enquanto ele chorava de medo do serrote e da promessa de passar o resto da vida preso na cadeira, dizendo que qualquer dia seria eu quem ficaria preso na cadeiram, e que ele só viria em casa para chutar a minha bunda. mais engraçado ainda é lembrar que 'essa cadeira esquisita, desconfortável e cafona, lógico, com este tecido de vaquinhas que não podia ser coisa de homem' era na verdade uma puta cadeira foda, de design refinadíssimo do le corbusier. só que isso, é claro, eu só vim a saber uns 15 anos depois, depois de entrar na fau. e soube também que o corbusa levou em conta no desenho desta cadeira seu nível de diversão e tantas posições inacreditáveis para crianças levadas da breca. ai embaixo tem uma breve descrição das estripulias. ah, claro que passar e rodopiar o encosto com toda força era o pedágio para se passar pela sala e subir as escadas... e logicamente meu pai nos arrancava os cabelinhos... hehehe
blue man
quando estava desenhando esta tira, o marcinho entrou no meu quarto com seu jeito de bichobocomoco -está desenhando? hmmm o que? hmmm não entendi- e eu, já meio sem paciência para explicar o que não está pronto para quem já quer a 'obra revista e ampliada', lhe respondi que ainda falatava a cor para que pudesse ser entendida, brilhante escapatória. agora há pouco, porém, assim que terminei o desenho, ele entrou novamente no meu quarto e pediu para vê-lo. -pois não- e não demorou para que entendesse de uma forma bastante diferente do que eu pensara: como se, no terceiro quadro as duas mãos se aproximando, que, para mim são as duas mãos do 'eu cenográfico' (versão do eu lírico desenhado?) fossem já as duas mãos direitas de duas pessoas diferentes, de forma que, no quarto quadro, uma mão ficasse branca subitamente e descontinuasse a sequência esperada. mas o que percebi agora é que de fato eu deveria ter desenhado, no terceiro quadro, parte das pernas do visitante branco, de forma a diferenciá-los melhor evitando assim confusão. e a cara no quinto quadro me dá raiva de tão estúpida, mas isso acontece pois nada está totalmente sob controle. mas desta pequena desavença me surgiu um pensamento interessante, que somado ao post do tatu (guilherme pianca) no meu último desenho do flickr* (http://www.flickr.com/photos/24056463@N08/3179219541/) fez com que eu reparasse como é distinta a forma de se ver, enxergar, compreender uma coisa tão vasta como a mídia desenhada, as técnicas do olhar de cada um e as bagagens que encaixotam o que cada um repara, quais são as primeiras, segundas e terceiras impressões de um trabalho que nem este. algo que para mim, que gastei umas duas, três horas no papel pode estar completamente despercebido ou imperceptível dentre vícios e automatismos.
8 de janeiro de 2009
7 de janeiro de 2009
5 de janeiro de 2009
o pão nosso de cada dia
esta foi a última tirinha do ano passado, made in paúba. a história surgiu de uma cachorro muito simpático que nos apareceu em boissucanga, quando fomos passear na esperada estiagem, já que nos diluviou por mais de um dia inteiro e estávamos mofando na casa do yuri. o pôr do sol estava bonito e andamos pela praia até sermos abordados por este simpático canino, de nariz estranhamente curto, que resolveu nos acompanhar por um tempo, brincando com uns gravetos que achamos por lá. numa destas o yuri, do fundo do seu poço de tormentas veio com esta idéia falando meio assim: ''ai ele chega em casa com este graveto e a mulher dele lhe diz - astolfo! graveto outra vez?! precisamos alimentar as crianças! eu disse bife, não graveto'' e a história se desenvolveu até que o yuri acabou me 'obrigando' a desenhá-la. achei o desenho da cadela meio infeliz, mas no final das contas o efeito foi o desejado e eu dei aquele sorrisinho quando reli.
23 de dezembro de 2008
21 de dezembro de 2008
minhocão
20 de dezembro de 2008
19 de dezembro de 2008
pé torto e quebra-canela
bem, quando o marcinho viu o post anterior me disse - mas é claro que eu ainda tenho o meu desenho, era muito mais legal que o seu, era um dragão mais gordo escalando o castelo e tal - então fui atrás de procurar o tal do dragão. mas eis que, sem aviso nem discrição, me aparece esta foto de quando eu tinha 9 e o marcinho 7 anos, em campos de jordão. reparem nas minhas pernas mais arqueadas que pau torto e este meião que mais parece meio metro de gase enrolado em pata de galinha! mas o negócio fica fera mesmo quando olharmos para o japona do marcinho, rapaz, isso é que era estilo, com estas pantalonas escarlate e este reebok branco. o detalhe é o boné do pica-pau coloridasso na mão e a pose de jacu-pêssego! a gente era bonito e nem sabia, verdadeiras pérolas do agreste.
o dragão do castelo
hoje eu estava fazendo aquela arrumação geral no meu quarto quando me deparei com este desenho que a minha mãe fez para mim há uns quinze anos, quando eu tinha uns seis ou sete anos de idade. o engraçado é que eu lembro dela fazendo, fez este para mim e um muito parecido mas não igual (lógico) para o marcinho. desde então tenho ele guardado, nunca foi um personagem especialmente presente nas minhas brincadeiras, mas acho curiosa a forma como guardei tão bem até hoje um desenho que encontrei poucas vezes durante minha vida. lembro de descobri-lo nalgum lugar surpreendente mais do que dele propriamente. de qualquer forma, sempre adorei este desenho da mamis.
o dia em que a canhota humilhou a destra
para comemorar meu primeiro dia de férias (tecnicamente hoje, mas psicologicamente amanhã) resolvi desenhar um pouco, botando a mão esquerda para se virar. o problema é que ela se saiu meio bem demais, na minha opinião, e chegou quase que no nível da direita, pelo menos no que se refere ao modo de desenhar. o contraste que eu queria óbvio entre o traço da mão esquerda e da direita, e a brincadeira de que a mais hábil só desenha a menos e vice-versa ficaram meio prejudicados com a performance canhota. não sei se a minha mão direita está ficando para trás ou se está na hora dela tentar inventar outro jeito de desenhar porque este até a esquerda já aprendeu! de qualquer forma achei uma bela composição, e uma salva de palmas para a mão esquerda, me surpreendeu.
16 de dezembro de 2008
espíritos de porco
bem, toda esta estória começou com a minha mãe querendo ver uma tirinha que eu estava desenhando de cinco em cinco minutos - mãe, por que você não espera ficar pronta? - no que ela me respondeu - porque gosto de ver o processo acontecendo. agora, depois de uns dois meses eu finalmente tive tempo de registrar as partes do processo de desenhar estas tirinhas. a primeira parte, acima, é um croqui que fiz numa folha de sulfite, em dois minutos, para testar o layout que tinha imaginado, ver se os tamanhos dos personagens estavam bons, etc.
neste desenho seguinte, que está com a cor deformada por causa das maracutaias que tive que fazer mal-e-porcamente no photoshop para as linhas aparecerem no scaner, desenhei com um grafite muuuuuito clarinho, mais para me localizar, esboçar as formas na página definitiva e fazer os ajustes necessários para caber tudo.
na etapa seguinte eu comecei a passar à tinta o esboção à lapis, é a hora em que elejo a linha que vai vingar, porque a rabisquera tem que dar lugar a uma forma clara e limpa. o amarelo entra agora para tentar borrar menos com o preto, pois estas tintas à base de água se diluem o tempo inteiro.
nesta parte eu começo a detalhar mais o desenho, logo depois de apagar de vez os vestígios de grafite acrescentar os objetos/hachuras em segundo plano, terminar de pintar as cores claras que agora não vão mais borrar com o grafite.
as outras cores vêm na sequência, junto com o detalhe da roupa, que deixo sempre como a penúltima coisa a se fazer por tradição. as outras cores vêm também.
por fim acrescento os fundos chapados, principalmente preto, para realçar as figuras e refazer algum contorno esquisito. o grafite é a última coisa para tentar não borrar o desenho. eu fiquei pensando se não era meio chato demais contar a estorinha tão 'passo-a-passo' assim, portanto me digam se é desinteressante todo este trabalho. acho que deveria fazer que nem o marcinho que pede para darem uma nota ao post. sintam-se à vontade. ah, sobre a história, eu tenho a certeza de que todo homem é porco, quem aqui conseguir resistir à vontade de mijar em cima da represa de mijo alheio que corte os pulsos e suba ao céu agora mesmo.
14 de dezembro de 2008
autocontrole
12 de dezembro de 2008
automatismo
comecei a desenhar esta tira nas vésperas das entregas, quando as primeiras marolas do navio das obrigações balançavam minha força de vontade, despertando a vontade de me poupar, de secretamente dispensar meu pássaro vermelho de tudo isso. a vontade era desligar a cabeça e apertar o botão do 'piloto-automático', - sou um zumbi agora - melhor representada pela abertura da gaiola e expulsão de seu senso crítico. fazer apenas, terminar apenas, rápido e apenas.
10 de dezembro de 2008
maquete TFG FAAP
rafael sica
bem, este final de semestre está uma lástima, principalmente por causa de uma maquete que estive fazendo com meus sócios (mais chique falar assim, não?) até a meia noite de segunda. acabamos e fomos bem sucedidos, mas não tive tempo de desenhar nas últimas duas semanas, para terem idéia, tenho cinco idéias registradas e uma no meio do parto, todas intocadas nestes últimos dias. sendo assim, resolvi mostrar uma tirinha deste cara, o rafael sica, que me foi indicado por um outro rafael e que desenha demais. o link dele é http://rafaelsica.zip.net e vale a pena dar uma olhada, referência. agora yuri, poderia muito bem ter sido você quem desenhou esta tirinha. este cara tem estas sacadas geniais. ai está.
3 de dezembro de 2008
respiros do porão
hoje encontrei um colega meu,
estava mais velho, cansado e gordo que antes, apático e derrotado habitante do mundo corporativista cinzento, almoçando um pouco da sua juventude num prato de vidro.
estava mais velho, cansado e gordo que antes, apático e derrotado habitante do mundo corporativista cinzento, almoçando um pouco da sua juventude num prato de vidro.
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