18 de fevereiro de 2011

piriguetagem

Lá na República Dominicana, pelo menos na praia em que estávamos, tinha desta moda de piriguetagem. As moças (senhoras, meninas, jovens, velhas, bonitas, feias, bichas, o que fosse) se sentiam na maior das normalidades fazendo estas poses de quem quer arranjar marido. Esta polaca, pressumomos que fosse alguma coisa assim porque não pudemos identificar uma letra sequer do que ela comentava com uma amiga e com o aparente namorado, que tirava as fotos, apareceu alguns dias assim, toda maquiada e produzida, deitava no meio da areia, rolava com as ondas, tomava caldo, subia em coqueiro (tinha um coqueiro inclinado, quase horizontal onde brincávamos de se equilibrar com meu primo pequeno) então estas 'garoutas' de TODAS as idades, acreditem em mim, faziam as poses mais inacreditáveis para fotos que muito provavelmente foram parar em facebooks e portifólios diversos. Vergonha alheia. Depois ainda falamos mal da moçada que tira umas fotinhos inocentes nas praias daqui para botar no orkut. Hesitei muito antes de fotografar um destas cenas, achei que pudessem não gostar, mas acabei percebendo que nem ligavam, pelo contrário, estavam lá para isso, chamar atenção, o que fosse. Parecia uma missão a se cumprir, com direito a trocas de roupa, caras e bocas, poses e risadas. Imagino que estivessem se divertindo, mas meu, convenhamos, foda.

as menina

A gente estava esperando para fazer alguma coisa, não lembro bem o quê. O ponto de encontro era na entrada da praia, onde já tinha a fantástica brisa marítima.


17 de fevereiro de 2011

sobe no coqueiro

Nosso guia, 'Tiago sem H', como ele fazia questão de frisar, era um daqueles negões (no bom sentido, claro) de dar inveja. Preto preto preto preto preto, tão preto que era praticamente azul, não muito alto mas devia pesar facilmente uns 100 quilos. De branco ali só os dentes e o cantos dos olhos, talvez as palmas da mão e do pé também. A coisa mais impressionante, aliás, eram os pés, duas batatas enormes, em nada parecidos com nossas patinhas urbanas. Eram redondos, quase tão largos quanto compridos com uma sola tão curva como o próprio barco. Duvido que haja sapato normal de mercado que lhe sirva os pés. Não que ele precise, pelo jeito nunca usou um sapato na vida, mas ainda sim me perguntei. Conduzia o barco de madeira com motor de popa na maciota, suave. Subia nas ondas certinho, mesmo quando jurássemos que fosse para capotar o barco, descia leve, virava assim ou assado, como se fossem a mesma coisa, era impressionante. Mas ficamos de queixo caído quando este cara nos fez descer na tal da praia deserta, avisando sobre os haitianos e tal, e então nos perguntando se estávamos com sede. Não entendemos exatamente mas ele insistiu perguntando se queríamos água de coco. Bem, as mãos quase que instintivamente foram às bolsas, pensando nos trocados e vendedores de coco. Nosso guia então trepou no coqueiro mais próximo, que devia ter bons 15 metros até a copa, subiu-lhe rapidinho como se fosse quebrá-lo ao meio com o corpo arqueado entre as mãos que puxavam contra as pernas que empurravam. Chegando lá em cima se pendurou nas folhas, qual macaco (sem nenhuma insinuação pejorativa, um elogio, isso sim), balançando intensamente até pôr os pés mais alto que a cabeça em chutes que fariam os cocos simplesmente desistirem de se pendurarem lá também. Não parando ai, ele desceu ainda mais rápido, quebrou uma folha do coqueiro no meio, ficando só com a ponta do talo na mão, e, feito lança, fincou-a no olho do coco abrindo-o num só golpe. Bebemos (quer dizer, praticamente babamos) a água toda e então o cara ainda me pega uma pedra gigantesca e parte a porra do coco ao meio, arrancando a carne dura com as unhas e dando para os branquelos boquiabertos comerem. Acho que um cara destes nunca deixou de receber por um passeio.

cataclisma

Croquis de uma ilustração para sair num caderno comemorativo de 90 anos da Folha mas que foi cancelada. A idéia era mostrar a cidade de São Paulo daqui a 90 anos, uma simbiose causada pela nova condição geográfica e as antigas construções ou cara da cidade que conhecemos. Ainda ia desenvolver o tema, a composição, etc, estava até animado, mas toda a seção de ilustrações e textos com este tema foi reduzida e remanejada, de forma que caí fora, uma pena.

16 de fevereiro de 2011

os vizinhos

Estas duas fotos foram tiradas numa ponta da praia que ainda era deserta, preservada, embora viéssemos a saber que o terreno todo já havia sido vendido por alguns milhões de euros. O engraçado (para não dizer trágico) desta visita foi a advertência do nosso inacreditável guia - o motivo da incredulidade eu conto no próximo post - que recomendava que ficássemos todos juntos pois ali, nos recantos desertos da república dominicana, há sempre a possibilidade de haitianos desesperados estarem escondidos. Só agora, ao escrever isso percebo quão absurda era a situação, para não lembrar de toda a questão haitiana. Lá não se falava muito dos vizinhos desafortunados, principalmente na 'disneylândia em que estávamos', embora os encontrássemos no dia seguinte cortando cana e falando numa forma cantada lindíssima, daquelas que dá vontade de ficar ouvindo.

15 de fevereiro de 2011

dando a luz

Estas fotos ainda são deste primeiro evento 'esperar o sol nascer', mas do momento imediatamente depois, ou durante o acontecimento. Dá para reparar, em uma ou mais destas fotos, uma pequena mancha que parece de óleo ou sabão. São da revelação, aparecem em algumas outras inclusive de outros filmes. Não sei se algum de vocês já viu algo parecido, vejam no centro da quarta foto. Já falei no Capovilla e devo levar o filme algum dia destes para conversar com o técnico da revelação. O mesmo vale para a risca atravessando a terceira e a sexta foto, embora estas eu ache que sejam resultado do meu escaneamento meio mal-feito.





tocaia para ver o sol nascer

Nesta viagem tínhamos a vantagem do fuso. Estávamos duas horas atrás de São Paulo, então era muito fácil acordar cedo. E como lá ainda era inverno, o sol nascia praticamente às 9h daqui! Era moleza ir para a praia cedinho ver o sol nascer, e arrastei minha mãe duas ou três vezes para vê-lo, sendo que estas fotos aqui são desta primeira vez, que tinha pouquíssimas nuvens no céu então acabou sendo uma cena mais clean. Até por isso que tentei mais uma vez, na esperança que houvesse mais nuvens e a composição ficasse mais colorida e interessante.


lixos marítimos

Minha família tem uma coisa meio bizarra que é tão normal para a gente que até esquecemos que não é bem assim. Acho que começou com a minha mãe este negócio de ficar olhando pros lixos ou presentes que o mar deixa na praia nas ressacas; aquele monte de coisa meio aleatória que esconde alguns tesouros magnificamente envelhecidos. É que parece que o tempo passado no mar muda a nossa taxação original 'lixo' para qualquer outra coisa mais interessante. Enfim, estávamos eu e minha mãe na República Dominicana andando pela praia a olhar os lixos do lugar (porque são maravilhosamente diferentes de um para outro) quando encontramos este latão ou cilindro metálico enferrujadíssimo. Era quase obscena sua confdição carcomida quando se esperava que talvez contivesse alguma coisa, que fosse selado, lacrado, porque certamente não era mais. Lindo. Agora a novidade da coisa foi minha mãe querer sair numa foto com o achado.


14 de fevereiro de 2011

praia

Estas fotos foram tiradas com um filme da linha profissional da Kodak chamado Ektar 100. O slogan do negócio é 'the finest grain', e de fato, a qualidade dos negativos foi muito boa, principalmente na questão das cores. Tive alguns probleminhas com sujeira nas lentes; a maresia somada ao vento constante sujaram-nas muito mais rápido que eu imaginava, de forma que tive um trabalho considerável limpando algumas fotos no photoshop. Era também a primeira vez que usava meu fotômetro e a grande angular novos, então muitas fotos acabaram sendo meio redundantes, explorando o campo visual e exposições menos chutadas.




10 de fevereiro de 2011

roxo

Eu estava falando que esta foto me lembra de leve aquelas gravuras japonesas tipo Hiroshige (guardadas TODAS as proporções, obviamente). Isso por causa desta composição e pelo tema, mais que tudo. O mar com ondas num plano, céu e nuvens bastante maiores e a luazinha no canto para dar o arremate. Só para constar, tirei esta foto com uma grande angular que estreei nesta viagem, uma Voigtlander 15mm, com a M mount para Leica. O filme é um que achei incrível, da linha profissional da Kodak, o Ektar 100, que, como prometido, tem um grão minúsculo.

9 de fevereiro de 2011

manguezal

Esta é a oitava foto deste meu primeiro filme infra-vermelho que queimei. Usei um Rollei 400 com um filtro B+W 092, fotometrado em ISO 6. Como meu fotômetro é de mão, um Gossen Digiflash, não tive problemas com a fotometragem, já que a Leica M3 que usei nem é reflex nem tem fotômetro. Curti MUITO o resultado, certeza que vou torrar os outros infra-vemelhos que ainda tenho.

mama

Esta foto é para a minha mãe (e dela, naturalmente) que já viu e gostou, mas agora fica dito.

cabelos ao vento

O que é foda do caribe, se comparado às praias que habitualmente vou em São Paulo, é que tem um ventinho constante, suave, o tempo inteiro. Então na praia você não sente calor, pelo contrário, é o melhor lugar para se ficar.


a cor do mar

Foi numa noite em que estava com a máquina, assim na praia, e saímos para andar pela areia depois do jantar. De longe dava para ver este holofote iluminando a chegada, mas o que impressionava era como o mar ficava verde por causa dele. Fiz uma longa-exposição meio apoiado na cadeira, com o tempo completamente chutado, claro, mas até que deu certo.

8 de fevereiro de 2011

ilhota

No finalzíssimo do dia, o avião já estava descendo para pousar e o sol descendo descendo. Jurava que esta foto não sairia, ou melhor, que não vinagaria.

do céu

Achei legal mostrar as variações do céu neste trajeto de avião que atravessou o continente Sul-Americano de São Paulo até mais ou menos a Guiana, passando depois sobre o mar até pousar na República Dominicana. As duas postagens anteriores também estão neste contexto e, muito provavelmente, a próxima também estará. É que o céu tem qualquer coisa que me deixa embasbacado.




7 de fevereiro de 2011

aero-topografia

Mais uma da série 'janelinha de avião' que tirei na ida para a República Dominicana, agora em janeiro. O filme era um Kodak Ultramax 400, normalzão, e esta foto, se não me engano, tirei com a lente de 50mm.

planarto

Esta foto eu tirei da janelinha do avião, imagino que seja algum lugar do nosso vasto planalto central. Mas o que eu acho bonito é a divisão em três partes que as nuvens causaram na foto.

6 de fevereiro de 2011

pedacinho de floresta

Mais um pedacinho de desenho até eu descobrir se posso ou não postar as coisas aqui. Este recorte tem uns 5 x 4 cm, feito em dois minutinhos, estudo num sulfite dobrado também.

3 de fevereiro de 2011

estudo de vegetação

Até parar e conversar sobre isso com o Isay, não vou colocar aqui nenhum dos desenhos que apareça 'projeto'. Este, e mais alguns que depois colocarei apenas recortes, são estudos de paisagem e vegetação que fiz como preparação e aproximação da área de intervenção onde seria inserido o projeto.

o tradicional trânsito de 'feliz ano novo'

Voltando de Paúba depois do ano novo, fiz as acrobacias necessárias para ir do banco do passageiro, na frente, para trás, rebater a metade do banco de trás para poder enfiar a mão no porta-malas, pescar minha câmera para então voltar para frente, botar o cinto, ser zoado pelo meu pai e então poder me 'divertir' um pouco enquanto encarávamos o transitinho mais besta deste começo de ano. Sem fotômetro, claro. (Agora eu já tenho um novo!)


2 de fevereiro de 2011

na varanda

Além de achar esta foto bem bonita, ela ainda mostra a Maíra lendo a Folha com um desenho meu na capa! (Espírito bobo à parte, eu realmente acho esta foto muito boa).

1 de fevereiro de 2011

fugueira

Uma longa-exposição beeem aleatória já que ainda estava sem fotômetro. Lá em Guaecá, no finalzinho do ano passado.

31 de janeiro de 2011